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Nunzio do Folias estreia no Maquinaria

11 julho 2009 1 comentario

nunzio

De 07/08 a 06/09.

Sextas e Sábados, 21h.

Domingos, 20h.

Entrada: R$ 20,00 (inteira) - R$ 10,00 (meia)


Uma casa móvel e dois amigos. Nunzio é um trabalhador da indústria química, debilitado e crédulo. Pino é o seu “home mateâ€, amigo que viaja constantemente e, pelo que tudo indica, um prestador de serviços ilícitos. Dois amigos imigrantes que vivem numa casa móvel que só ganha vida conforme a região e necessidade. São esses os elementos /habitantes dessa tal “terra de ninguémâ€. Personagens que nada tem a oferecer além do que são. O que pode florescer na necessidade de não estar só? Talvez a solidariedade? Talvez o amor? Talvez o ciúme? A dependência, a chantagem, o medo, a astúcia?

FICHA TÉCNICA

Autor: Spiro Scimone

Tradução: Jorge Silva Melo

Direção e Adaptação: Danilo Grangheia

Elenco: Rodrigo Scarpelli e Ricardo Leite

Preparação de ator: Tatiana Freire

Cenografia e Adereços: Bira Nogueira

Assistência de Cenografia: Fernanda Aloi

Figurino: Daniel Infantini

Iluminação: Túlio Pezzoni

Vídeo e Programação Visual: Ieltxu Martinez Ortueta

Produção: Folias

SOBRE A PEÇA

Para onde ir? Podemos dizer que essa pergunta foi a que mais nos acompanhou no processo de ensaios do “Nunzioâ€. Não somente no que diz respeito aos procedimentos do nosso ofício mas, principalmente, na extensão dos significados contidos na obra de Spiro Scimone. Foi exatamente aí, quando abraçamos de fato essa dúvida, que passamos a identificar com mais clareza o tamanho das nossas distâncias. “Nunzio†fala essencialmente sobre essas distâncias, distâncias que foram também gradativamente construídas tanto no plano afetivo quanto no plano geográfico e, como não poderia ser diferente, evolui para uma tentativa por vezes inconsciente de re-aproximação.

A peça foi originalmente escrita em dialeto de Messina; mas tanto no dialeto quanto na língua nacional o que se pretende, além da perda iminente da linguagem, é a descrição de um mesmo território…um lugar confinado e restrito ao qual chegam apenas “sinais†de um exterior.

Nunzio e Pino são dois amigos que dividem o mesmo metro quadrado, estão somente ligados pela história de um lugar que possivelmente não existe mais. No entanto, esse não lugar acaba virando o motivo dos possíveis confrontos implícitos entre os dois amigos…por um lado a tradição que se perde substancialmente e por outro,a tentativa de se criar um novo mundo. A partir daí o que se instala no cotidiano dessas duas figuras é um adiamento preenchido de silêncios e diálogos truncados, um vazio que sutilmente vai corroendo os dias e criando, assim, um embate subterrâneo de tensões.

FOLIAS/ EXODO- O HOMEM CORDIAL/ NUNZIO

Sobre o Projeto:

O Projeto aponta para dois caminhos:

Um que diz respeito a um eixo temático, que tem como centro o indivíduo, o órfão do processo de exaustão das estruturas sociais, notadamente a organização política do Estado. O indivíduo como potência é, paradoxalmente, o “homem cordialâ€;

o outro é o eixo formal que privilegia nessa etapa do trabalho a reflexão, o estudo, o esmiuçamento dos processos de escrita cênica, tendo pois como vetor a encenação.

A dramaturgia, a interpretação, voltam-se para a tentativa de compreensão dos procedimentos de encenação.

O eixo formal significa a aproximação com procedimentos de “Escritura Cênica†– assim, os seminários, os trabalhos de socialização de experiência aos modos do já feito, por exemplo, no Querô, do ponto de vista da interpretação, voltam-se para a “Escritura Cênicaâ€.

No que diz respeito especificamente à cena em si o FOLIAS se dedicará a criar núcleos de trabalho em número de não menos que quatro e não mais que sete, cada um desses trabalhos resultando em uma encenação a ser proposta considerando a potência do indivíduo com seu “homem cordial†na Terra Arrasada.

A investigação passa a ser a do indivíduo plantado em terra estranha, mesmo que seja a sua. Do ponto de vista do cidadão, a compreensão da condição de individuo desterritorializado, exilado, e a atitude de escolha  ante o caminho (em tese) de   mão única:  seguir adiante “na cordialidade†conformadora desta  “aldeia global†ou  recriar simbolicamente seu território, buscando caminhos alternativos, ainda que marginais.

O Galpão do Folias permite que  essa discussão, agora na “Terra Arrasada†aconteça, de maneira plural, uma vez que abarca em sua atual formação um número razoável de novos artistas contaminados com essa inquietação e “potencialmente contribuirão†junto aos criadores já  existentes para a reelaboração das estruturas criativas, filosóficas e organizacionais, e o seu transbordamento para a recriação, renovação, refundação de territórios. Trata-se da tentativa renovada de estimular o movimento de teatro em São Paulo, talvez sob a própria insígnia renovada por um dos inspiradores desta casa, o Professor Milton Santos:  “Um faz o outro a maneira da celebre frase de Churchill : primeiro fazemos nossas casas, depois elas nos fazem… a idéia de tribo, povo, nação e depois de estado nacional decorre dessa relação tornada profunda.”

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